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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Nova regra de saúde: não estresse tanto com a saúde

São Paulo, segunda-feira, 18 de janeiro de 2010 

Já comeu suas 5 a 9 porções de legumes hoje? Fez uma hora de exercício? Reduziu o consumo de gorduras saturadas e dormiu oito horas? 
Ditar regras para a vida saudável se tornou uma espécie de indústria, mas, quando se trata de alcançar essas metas, muitos sentimos que não chegamos lá. Agora a médica Susan Love, respeitada especialista em saúde da mulher, propõe uma nova regra: pare de se preocupar com a sua saúde.
No recém-lançado livro "Live a Little! Breaking the Rules Won't Break Your Health" ("Viva um pouco! Quebrar as regras não vai quebrar a sua saúde"), Love diz que a saúde perfeita é um mito e que a maioria de nós está bem mais saudável do que pensamos.
Love, professora de cirurgia na Escola de Medicina David Geffen, na Universidade da Califórnia, Los Angeles, diz que desrespeitar as várias regras de saúde é uma grande fonte de estresse e culpa, particularmente para as mulheres. "A meta é viver para sempre?", disse ela numa entrevista recente. "Eu argumentaria que não. É realmente viver o máximo que puder, com a melhor qualidade de vida que puder."
O livro, escrito com Alice Domar, professora de Harvard e psicóloga do Centro Médico Beth Israel Deaconess, de Boston, aborda pesquisas e conselhos em seis áreas da saúde -sono, estresse, prevenção, nutrição, exercício e relacionamentos. Em todas, escrevem elas, os maiores riscos estão nos extremos e o meio termo é maior do que achamos.
Veja a questão do sono. A maioria acha que é melhor dormir pelo menos oito horas por dia. Mas os estudos sobre os quais tal crença se baseia avaliam o quanto homens e mulheres dormem sob condições ideais -silêncio, escuridão e sem responsabilidades além de participar em um estudo do sono. Eles não nos dizem nada sobre quanto sono realmente precisamos no dia a dia ou o que acontece se dormirmos menos.
Um relatório publicado em 2002 na revista "Archives of General Psychiatry" concluiu que pessoas que dormem sete horas por noite tinham menos propensão a morrer ao longo de um estudo de seis anos. Dormir mais do que sete horas ou menos que cinco aumentava o risco de mortalidade. Não ficou claro no estudo se o excesso ou falta de sono aumentava o risco, ou se algum problema de saúde subjacente afetava o sono.
"Precisamos ser mais realistas", disse Love. "Se você está sonolento o tempo todo, não está dormindo o suficiente para você. Se você fica bem com seis horas, não se preocupe com isso."
E não há nada de mágico na perda de peso. Pessoas obesas e abaixo do peso têm taxas de mortalidade maiores, mas as pessoas que estão acima do peso são tão saudáveis quanto as de peso normal -e às vezes mais. "A meta é ser o mais saudável e ter a melhor qualidade de vida possível", disse Love. "Não é ser magro."
Elizabeth Barrett-Connor, professora de medicina familiar da Universidade da Califórnia, San Diego, alerta para que essa mensagem de despreocupação com a saúde não vire pretexto para comer demais ou ficar sedentário. "No processo de traduzir esta mensagem para as massas, [as pessoas] podem sentir que foram perdoadas. Elas não devem se sentir como se estivessem pecando, mas não devem sentir que isso é uma licença para não tentar melhorar", disse Barrett-Connor.
Love disse que muita gente parece ter perdido de vista o que é ser saudável. "A meta não é chegar ao céu e dizer 'Sou perfeito'. É usar o seu corpo, se divertir e viver um pouco."